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Setor Portuário: Expansão na Crise

Atualizado: 26 de jan. de 2021

O mar também é importante porto de entrada de mercadorias na crise do novo coronavírus, conforme mostra este terceiro episódio do especial "Logística na Pandemia: Cargas Que Salvam Vidas".


Os portos aceleraram a movimentação de cargas durante a pandemia. Segundo o Ministério da Infraestrutura, a movimentação aumentou, em média, 6,6% no primeiro semestre na comparação a igual período de 2019. No Ceará, o Porto do Mucuripe, em Fortaleza, teve alta de 9% nas cargas, e o Porto do Pecém recebeu a maior parte dos insumos da saúde.


Por Samuel Pimentel, O Povo


O mar também é importante porto de entrada de mercadorias na crise do novo coronavírus, conforme mostra este terceiro episódio do especial "Logística na pandemia: cargas que salvam vidas"


Os portos aceleraram a movimentação de cargas durante a pandemia.


Segundo o Ministério da Infraestrutura, a movimentação aumentou, em média, 6,6% no primeiro semestre na comparação a igual período de 2019. No Ceará, o Porto do Mucuripe, em Fortaleza, teve alta de 9% nas cargas, e o Porto do Pecém recebeu a maior parte dos insumos da saúde.


Das cargas essenciais, de insumos alimentícios, no Mucuripe, o volume de granéis sólidos cereais (em especial o trigo) cresceu 11%. Já no Pecém, a movimentação de contêineres com produtos médico-hospitalares no mês de junho aumentou 29,5%.


Entre os insumos da área de saúde no Porto do Pecém estão medicamentos; pastas, gazes, ataduras e artigos análogos; preparações e artigos farmacêuticos; e soro fisiológico. Somente em junho, foram 193 contêineres movimentados no porto. No semestre foram 894. Vindos principalmente da Ásia, esses produtos também passam pelo Pecém com destino a outros portos brasileiros, como Santos (SP), Suape (PE) e Manaus (AM), bem como internacionais - exemplo de Buenos Aires (Argentina) e Gioia Tauro (Itália).


Para que toda operação seja possível, o presidente do Complexo do Pecém, Danilo Serpa, destaca que um comitê de gestão de crises foi montado para atuar desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS), no dia 13 de março, declarou estado de pandemia.


"O abastecimento de alimentos, remédios e produtos médico-hospitalares para o Ceará e estados vizinhos dependia do trabalho desses profissionais. E para que esses trabalhadores se sentissem seguros ao vir trabalhar foi necessário repensar nossa infraestrutura, construir novas soluções e nos comunicar mais e melhor com eles", afirma.


Já no porto da capital do Ceará, o foco foi na movimentação de navios relacionados à cadeia de alimentação e combustíveis. O Porto de Fortaleza é o principal ponto de chegada do trigo que abastece as indústrias de farinha, massas e biscoitos.


A diretora-presidente da Companhia Docas do Ceará, Mayhara Chaves, ressalta que desde março a operação do porto continua normalmente. Apenas funcionários do grupo de risco foram afastados.


"As nossas cargas cresceram mesmo no período da pandemia. Por ser uma atividade essencial, o porto movimenta cargas relacionadas à pandemia, como compras que o Governo do Estado fez de máscaras e equipamentos".


Mayhara ainda destaca: "A participação do modal marítimo neste período de pandemia tem sido relevante tanto para garantir o abastecimento da população como para movimentar a economia. E o Porto de Fortaleza vem cumprindo muito bem o seu papel, com destaque especial para o granel sólido cereal e o granel líquido".


As cargas de trigo chegam a Fortaleza principalmente da Argentina, como também dos Estados Unidos e Canadá. No desembarque do produto, a automação impede que os funcionários do porto e da embarcação tenham mínimo contato, a maior parte da comunicação é feita por meio de rádio. De acordo com a Companhia Docas, além da segurança do meio ambiente na movimentação de cargas e combustíveis, foi reforçada a segurança sanitária nas áreas de circulação de pessoas.


Pandemia adiantou processo de digitalização

A quantidade de documentos físicos do dia a dia da operação foi diminuída significativamente

Com a pandemia, a operação no Porto de Fortaleza passou por mudanças. A quantidade de documentos físicos do dia a dia da operação foi diminuída significativamente. Para a diretora-presidente da administração do porto, Mayhara Chaves, essa evolução veio para ficar.


"Mudamos alguns procedimentos, que, felizmente, vão ficar. O que antes era feito em papel, tudo manual, com necessidade de carimbo, agora será feito eletronicamente. Informações sobre os caminhoneiros que entram, mantivemos com toda a segurança, tanto da equipe interna, quanto dos profissionais que saem com mercadorias", revela.


De acordo com o coordenador do Centro de Estudos em Transportes, Logística e Mobilidade Urbana da Fundação Getúlio Vargas (FGV Transportes), Marcus Quintella, o transporte aquaviário ainda representa muito pouco em termos absolutos na movimentação de cargas gerais. E a parte burocrática, tributária e regulatória precisa ser melhorada.


"Houve avanços nas administradoras dos portos, ao mesmo tempo em que deve ocorrer a privatização de parte deles, devem evoluir. Esperamos neste ano um crescimento do setor portuário e, com todas as melhorias necessárias sendo feitas, teremos uma evolução muito importante para a logística nacional", analisa.


Quintella ainda lembra que, nos últimos meses, o crescimento da cabotagem - transporte de cargas entre portos de mesmo país - tem sido de constante no Brasil. Mas existe potencial para mais. O que devem auxiliar esse processo são as alterações na Lei dos Portos, aprovadas pelo Congresso Nacional no fim de julho e que aguardam sanção presidencial.


A Medida Provisória (MP) 945 altera a gestão dos contratos de arrendamentos, que passa a ser mais flexível ao permitir maior autonomia para que os arrendatários possam fazer investimentos nas áreas portuárias de forma mais rápida. Nos atuais termos, intervenções podem levar anos a serem efetivadas. Outro ponto a ser alterado permite a possibilidade de dispensa de licitação aos arrendamentos portuários quando se identifica apenas um interessado na exploração da área.


Também será possível a exploração de uso temporário de áreas e instalações portuárias, ferramenta para atrair novas cargas e diminuir a ociosidade de áreas nos portos públicos, permitindo aumento de receita das Autoridades Portuárias. A medida garante que os interessados testem a viabilidade de determinado tipo de carga por meio de um contrato de 48 meses improrrogáveis.

"Todas as mudanças na lei são essenciais no sentido de garantir competitividade dos terminais instalados nos portos públicos em relação aos terminais de uso privado (TUPs), gerando a atração de novos investimentos. Além disso, as novas normas aproximam o Brasil dos modelos mais eficientes praticados nos principais portos mundiais", observa o ministro da Infraestrutura do Governo Federal, Tarcísio Gomes de Freitas.


Cenário não diminui expectativa positiva


Apesar da pandemia e suas repercussões na economia mundial, o presidente do Sindicato das Agências de Navegação Marítima e dos Operadores Portuários do Estado do Ceará (Sindace), Bruno Iughetti, destaca que o transporte de cargas marítimo se manteve forte.


"O segmento portuário e de navegação praticamente não sentiu os efeitos da pandemia. Tanto os portos do Pecém e do Mucuripe fecharam com números positivos no primeiro semestre. Foi uma resultante não esperada, mas não houve uma situação de dúvida e retração de mercado", afirma.


Iughetti diz que a expectativa é que tenhamos um resultado anual que obedeça uma escala de valores de crescimento semelhante ao que aconteceu no primeiro semestre, com destaque para a cabotagem, que deve superar marcas históricas de anos anteriores.


"É um ano de expectativas positivas, pois a grande prova foi passada agora, entre março e julho. Se conseguirmos sair da pandemia sem arranhões, faz-nos raciocinar que teremos um segundo semestre de bons resultados, o que será positivo para a nossa balança comercial", diz.


Para os operadores portuários, não chegou a preocupar a mudança de opção de alguns importadores, que na emergência da pandemia, trocaram a operação marítima pela aérea. Segundo o presidente do Sindace, como a procura foi acima da capacidade do setor aéreo, a demanda do setor não caiu.


Fonte: O Povo (07/08/2020)

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